Perguntas focadas
É celulite ou há um abcesso drenável? Esta massa é um quisto, um lipoma ou algo a referenciar? Há um corpo estranho? Este gânglio é reativo? Há uma hérnia?
- Sonda
- Linear de alta frequência. Convexa para lesões profundas ou volumosas.
- Gel
- Abundante; em lesões muito superficiais, uma “almofada” de gel e pressão mínima.
- Dois planos
- Meça os três diâmetros e registe a profundidade e a relação com a fáscia muscular.
- Doppler
- Power ou cor com escala baixa: vascularização interna, periférica ou ausente.
- Compressão
- Lipomas e coleções líquidas deformam-se; ecos móveis (“swirl”) sugerem pus.
- Comparar
- Com a região homóloga contralateral.
Pele e tecido subcutâneo normais
Epiderme e derme brilhantes; tecido subcutâneo hipoecogénico com septos finos; fáscia muscular brilhante.
Celulite e abcesso
O exame clínico falha frequentemente a distinção. A ecografia muda frequentemente a conduta, ao revelar abcessos ocultos ou ao evitar incisões desnecessárias.
Celulite
Espessamento e hiperecogenicidade do subcutâneo, com fissuras de líquido entre os lóbulos em “pedras da calçada”. Sem coleção.
Abcesso
Coleção hipoecogénica ou anecogénica, de contornos irregulares, com ecos móveis à compressão, reforço posterior e halo hiperémico em Doppler, sem fluxo interno.
| Achado | Conduta habitual |
|---|---|
| Celulite sem coleção | Antibioterapia; reavaliar se não melhorar em 48 a 72 horas |
| Abcesso | Incisão e drenagem; a ecografia mostra o maior diâmetro, a profundidade e vasos a evitar |
| Pequena coleção (< 1 cm) | Pode resolver com antibioterapia e calor local; reavaliar |
| Gás no subcutâneo (focos brilhantes com reverberação), líquido ao longo da fáscia | Suspeita de fasceíte necrotizante Urgência cirúrgica |
Nódulos e massas
Lipoma
Oval, paralelo à pele, bem delimitado, isoecogénico ou ligeiramente hiperecogénico em relação à gordura, com estrias finas paralelas. Compressível. Sem Doppler significativo.
Quisto epidermoide
Oval, bem delimitado, na derme ou subcutâneo, hipoecogénico com ecos finos, reforço posterior e por vezes um trajeto até à pele (ponto). Roto: contornos irregulares e inflamação.
Ganglião
Anecogénico, lobulado, com colo para a articulação ou bainha tendinosa. Punho, dorso do pé, joelho.
Sinais de alarme: referenciar
- Dimensão > 5 cm.
- Localização profunda à fáscia muscular.
- Crescimento documentado ou recorrência após excisão.
- Dor, sobretudo se progressiva.
- Contornos irregulares ou infiltrativos, heterogeneidade, necrose.
- Vascularização interna abundante ou caótica.
A presença de algum destes sinais obriga a excluir sarcoma de partes moles: RM e referenciação a consulta especializada (tumores musculoesqueléticos). Use a lista de verificação.
Hematomas evoluem ao longo de semanas (de ecogénico a anecogénico e depois organizado). Um “hematoma” sem traumatismo claro ou que não regride deve ser reavaliado: pode ser um tumor.
Corpos estranhos
A ecografia deteta corpos estranhos radiotransparentes (madeira, espinhos, plástico) que a radiografia não mostra, e localiza os radiopacos (vidro, metal) antes da remoção.
Corpo estranho
Estrutura linear hiperecogénica com sombra (madeira, vegetais) ou reverberação e cauda de cometa (metal, vidro); halo hipoecogénico inflamatório após 24 a 48 horas.
- Pesquise em dois planos, com gel abundante ou em imersão em água para superfícies irregulares (mãos, pés).
- Meça a profundidade e o comprimento; identifique tendões, vasos e nervos próximos.
- Marque a pele no eixo do corpo estranho. A remoção pode ser guiada em tempo real, com a agulha ou pinça no plano do feixe.
Gânglios linfáticos
Gânglio reativo
Oval (eixo longo / curto ≥ 2), córtex fino e uniforme, hilo ecogénico central com vascularização hilar.
Gânglio suspeito
Arredondado (razão < 2), hilo ausente, córtex espessado ou excêntrico, necrose, calcificações, vascularização periférica ou caótica.
| Característica | Tranquilizadora | Suspeita |
|---|---|---|
| Forma (razão eixo longo / curto) | ≥ 2 (oval) | < 2 (redondo) |
| Hilo ecogénico | Presente | Ausente ou comprimido |
| Córtex | Fino, uniforme | > 3 mm, excêntrico, lobulado |
| Vascularização | Hilar | Periférica ou caótica |
| Outros | — | Necrose, microcalcificações, contornos mal definidos, conglomerados |
| Eixo curto | Geralmente < 10 mm | > 10 mm (inguinal > 15 mm) aumenta a suspeita |
Gânglios reativos são muito frequentes (cervicais, inguinais). Suspeita ecográfica, adenopatia persistente > 4 a 6 semanas sem causa, ou sintomas sistémicos: investigação e referenciação.
Hérnias da parede
Hérnia
Saco com gordura ou ansa intestinal através de um defeito da fáscia. Aumenta com Valsalva ou em pé.
- Onde: umbilical e paraumbilical, epigástrica (linha branca), incisional (cicatrizes), inguinal (canal inguinal, acima do ligamento inguinal) e femoral (abaixo, medial à veia femoral).
- Técnica: sonda sobre a zona de tumefação, transversal e longitudinal, em repouso e com Valsalva; em pé se necessário. Meça o colo (defeito da fáscia).
- Conteúdo: gordura (hiperecogénica, sem peristaltismo) ou ansa (com parede, conteúdo e peristaltismo).
Diástase dos retos é um afastamento sem defeito da fáscia, não uma hérnia.
Calculadoras
Massa de partes moles: sinais de alarme
Gânglio: razão eixo longo / eixo curto
Armadilhas frequentes
Abcesso isoecogénico
Pus espesso pode ter ecogenicidade semelhante ao tecido. Comprima: o conteúdo move-se.
Vaso ou aneurisma
Na virilha, axila e pescoço, use Doppler antes de puncionar ou incidir.
Pressão excessiva
Esvazia coleções pequenas e apaga o fluxo. Pouca pressão, muito gel.
Lipoma atípico
Lipomas grandes, profundos ou heterogéneos podem ser lipossarcomas. Aplique os sinais de alarme.
Quisto que não é quisto
Lesões sólidas muito hipoecogénicas (linfoma, schwannoma) imitam quistos. Procure reforço posterior e fluxo.
Ar da ferida
Ar introduzido por uma ferida imita corpo estranho metálico. Reavalie.
Gânglio necrótico
Pode parecer abcesso. Contexto clínico e vascularização.
Hérnia só com esforço
Em repouso pode não se ver. Valsalva e posição de pé.
Fontes
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- Kransdorf MJ, Murphey MD. Imaging of soft-tissue musculoskeletal masses: fundamental concepts. RadioGraphics. 2016;36(6):1931–1948.
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- Ahuja AT, Ying M. Sonographic evaluation of cervical lymph nodes. AJR Am J Roentgenol. 2005;184(5):1691–1699.
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- Bornemann P (ed.). Ultrasound for Primary Care. Wolters Kluwer; 2021.
Imagens: esquemas originais, simplificados, sem escala exata.